Prometi a mim mesmo que não escreveria sobre, por acreditar que não estaria capacitado para tocar em determinados assuntos. Só que Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta (Moxie, 2021) foi tão notável, que não consegui me segurar – e, no fundo, ele também fala sobre isso.

Moxie – baseado em um livro homônimo de 2018, escrito por de Jennifer Mathieu – mostra a trajetória de Vivian Carter – interpretada pela fascinante, diga-se de passagem, Hadley Robinson – uma jovem de 16 anos que, inspirada pela mãe – e seu passado rebelde -, inicia uma revolução contra uma cultura tóxica em sua escola, conservada e até, de certo modo, defendida pela direção. O meio para isso: uma fanzine, ou zine.
E não é exagero falar em revolução: suas ideias progressistas, distribuídas de forma anônima por meio do zine, passam a unir outras meninas, que se agregam em um clube, que mobilizam toda a escola, e, nesse ritmo, conquistam até os espectadores.
Não é tão difícil entender o motivo disso: o drama teen usa uma abordagem amena para uma discussão bastante densa, um jeito leve de falar sobre coisa séria, e necessária. Feminismo, cultura machista, sexismo, racismo, preconceito, bullying e estupro são só alguns desses temas. Moxie mostra como a comunicação pode ser muito útil para não só propagar boas ideias como contestar o estado das coisas.

A trilha sonora é um espetáculo à parte. Intensa e conexa, passeia do indie ao punk. Inclui versões – que me encantaram – de Heaven – originalmente interpretada por Bryan Adams -, na voz de Brandi Carlile; e La Vie En Rose – de Édith Piaf -, por Lucy Dacus. Na playlist, ainda a brasileira Cansei de Ser Sexy, ou CSS.
É claro, falta profundidade, mas penso que o filme da Netflix corresponde ao que se propõe: soltar um grito que estava preso na garganta de muitas gerações. “Grita!”: sim, você pode.
Fotos: Netflix

