Com a proximidade do período de entrega da declaração do Imposto de Renda – a Receita Federal anunciará as regras oficiais e o calendário definitivo no dia 16 de março -, contribuintes já devem iniciar a organização de documentos para evitar erros, multas e atrasos na restituição. Embora o envio tradicionalmente comece em março, especialistas recomendam que o planejamento tenha início ainda em fevereiro.
De acordo com Ademar Mota, professor de ciências contábeis da Wyden, a antecipação reduz riscos e pode trazer vantagens financeiras.
Quem se organiza antes evita inconsistências, diminui as chances de cair na malha fina e aumenta a probabilidade de receber a restituição nos primeiros lotes
Ademar Mota, professor de ciências contábeis da Wyden
Quem deve declarar?
Segundo as regras divulgadas anualmente pela Receita Federal, está obrigado a declarar o contribuinte que se enquadrar em critérios como:
- Recebimento de rendimentos tributáveis acima do limite anual estabelecido;
- Rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima do teto definido;
- Operações na Bolsa de Valores;
- Ganho de capital na venda de bens;
- Posse de bens e direitos acima do valor estipulado pela Receita;
- Condição de residente no Brasil no ano-base.
Os valores exatos são atualizados a cada exercício fiscal. Um ponto que merece atenção é o risco de penalidade. A multa por atraso na entrega é aplicada em todo o país, pois o Imposto de Renda é um tributo federal. A penalidade corresponde a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com valor mínimo de R$ 165,74, mesmo para quem não tenha imposto a pagar.
Perder o prazo gera custo financeiro desnecessário. Organização é sempre a melhor estratégia
O especialista também esclarece que eventuais anúncios de atualização da tabela do Imposto de Renda ou ampliação da faixa de isenção não impactam automaticamente a declaração que está sendo entregue agora.
Quando há mudança aprovada, ela passa a valer para o ano-calendário seguinte. O contribuinte precisa ter atenção para não criar expectativa com regras que ainda não estão vigentes
Cuidados essenciais
Entre os documentos que devem ser separados estão informes de rendimentos de empresas e instituições financeiras, comprovantes de despesas médicas e educacionais, extratos de investimentos, previdência privada e registros de compra e venda de bens.
Ademar também recomenda atenção redobrada às despesas médicas, um dos principais motivos de retenção em malha fina quando há divergência de informações.
A declaração pré-preenchida ajuda, mas não substitui a conferência detalhada. A responsabilidade final é sempre do contribuinte
Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

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