Espetáculo 'Tudo Acontece numa Segunda-Feira de Manhã' reflete sobre situações difíceis do mercado de trabalho em única apresentação em São Luís

Segunda de manhã no palco: teatro e trabalho em choque

Espetáculo de Vinícius Piedade e Evas Carretero questiona o mercado de trabalho com humor, ironia e situações-limite no Teatro Arthur Azevedo

Depois de percorrer mais de 20 países com seus espetáculos solo, o ator e dramaturgo Vinícius Piedade divide, desta vez, o palco com Evas Carretero em uma montagem provocadora e atual. O espetáculo Tudo Acontece numa Segunda-Feira de Manhã, primeiro da trilogia Pessoas Trabalhando, será apresentado no dia 25 de setembro, quinta-feira, às 20h, no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, dentro do projeto Convite ao Teatro, com ingressos a preços populares, disponíveis para compra pela internet.

Sob direção de Silvana Garcia, a obra mistura humor e ironia para expor os limites extremos a que candidatos são submetidos em processos seletivos. Em um jogo metalinguístico, a peça convida o público a refletir sobre as condições de trabalho, ao mesmo tempo em que desenha um retrato irreverente e perturbador do mercado contemporâneo.

Essa questão sempre me intrigou. Afinal, passamos a maior parte da nossa vida no ofício, seja ele qual for. E hoje, com as discussões sobre inteligência artificial, quais são os empregos que continuarão existindo? E qual será o impacto do fim de alguns trabalhos para as pessoas?

Vinícius Piedade

Em cena, Vinícius e Evas interpretam atores em busca de um papel — ou de um emprego. Eles participam de um teste que coloca os personagens em situações-limite. Na primeira história, um homem desempregado há muito tempo decide participar de uma entrevista levando uma bomba presa ao corpo, exigindo sua contratação. Na segunda, um candidato é submetido a dinâmicas tão absurdas que sua vida pode estar em risco.

Tudo Acontece numa Segunda-Feira de Manhã tem um quê de recomeço. É como um grande teste para um espetáculo, o que nos permitiu utilizar muitos elementos do próprio teatro, como exercícios de atuação

O espetáculo também aponta para as consequências emocionais do desemprego, como ansiedade, depressão, baixa autoestima e a perda de autoconfiança.

Para a diretora Silvana Garcia, a força da peça está no ritmo e no jogo cênico: “A direção está centrada no diálogo entre os atores, como se fosse uma coreografia de tensões e distensões. Optei por não usar trilha sonora para valorizar o texto, as pausas e a interação entre eles”.

Após a apresentação em São Luís, o espetáculo segue para Portugal.


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