Exposição ressignifica memória negra e indígena

Mostra em São Luís revisita imagens coloniais e propõe reparação histórica com arte, debate e formação cultural

Recontar as histórias de pessoas pretas e indígenas registradas de forma violenta, desrespeitosa e brutal, do período referente à expedição fotográfica de cunho racista denominada ‘Thayer’, realizada na Amazônia, no Século XIX. Este é o foco central da exposição Costura de Cores Ancestrais – A Retomada, integrante do projeto artístico Direito à Memória, diretamente de Manaus, que estreia nesta quarta-feira, 25 de março, no Chão SLZ, em São Luís.

Pessoa sorrindo com cabelos trançados, vestindo uma blusa vermelha com estampa colorida, em frente a um fundo vermelho.
Direito à Memória: exposição ‘Costura de cores ancestrais – A Retomada’ estreia em São Luís: com direção artística e idealização da artista manauara Keila-Sankofa, a mostra terá, também, ações como mesa de debate e minicurso

Beneficiada pela PNAB 2024 – Fomento à Execução de Ações Culturais de Artes e realizada com o apoio do Governo do Estado do Amazonas/Conselho Estadual de Cultura/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Governo Federal, a exposição, idealizada e com direção artística assinada pela artista manauara Keila-Sankofa, surge de um incômodo legítimo de modificação da imagem pública das pessoas pretas e indígenas, apresentando um passado remodelado.

Com a mostra, o objetivo central é criar possibilidades para uma edição da memória pública e imagética destas pessoas fotografadas nesta expedição. Para Keila-Sankofa, as teorias racistas científicas criadas para justificar uma suposta superioridade racial nesse período, se perpetuam no imaginário até os tempos de agora.

Nosso trabalho é plantar e cultivar, recriar essas imagens e intervir na paisagem da cidade retratando esses indivíduos sociais por nome, cultura, origem, desejos e constituição familiar, tudo aquilo que o processo da história colonial propositalmente apagou

Dentro da exposição Costura de Cores Ancestrais – A Retomada, a transmutação da imagem é utilizada para contar uma parte da história de pessoas pretas e indígenas, possibilitando através da poética, uma identidade para essas pessoas, utilizando da revisitação histórica para construir imaginários como uma ferramenta para transversão da história oficial.

Assim, a mostra atua na ressignificação dos cativos presos nas fotografias em seres livres e com sua humanidade escrita, transformando-os em obras bandeiras que provam a existência desses indivíduos sociais e suas importâncias.

A iniciativa já foi realizada em outros três lugares – todos em Manaus, como: Largo de São Sebastião, Trilha do Musa no Angelim de 500 anos e no Salão do Museu da Amazônia (Musa). Keila-Sankofa destaca que a estreia no Maranhão é o primeiro lugar fora do estado do Amazonas em que a exposição circula.

Essa é uma satisfação enorme poder estar em terras maranhenses. Queremos ocupar a Amazônia inteira com a voz dessas pessoas contando suas próprias histórias

Programação

A abertura oficial da exposição Costura de Cores Ancestrais – A Retomada é nesta quarta-feira (25), a partir das 19h, no Chão SLZ, localizado na rua do Giz, nº 167, no Centro Histórico de São Luís.

Além da mostra, a programação terá, também, outras duas ações culturais previstas no mesmo local, como minicurso e mesa de debate – sendo esta intitulada Chão e Direito à Memória, que contará com os artistas Keila-Sankofa e Dinho Araújo, e será nesta quinta-feira, 26 de março, às 19h, totalmente gratuita e aberta a todos os públicos.

Três grandes painéis de tecido, representando figuras humanas, pendurados em uma parede de tijolos. A figura à esquerda está vestida com roupas tradicionais, a do meio usa um vestido vermelho e a da direita veste uma camisa azul. Abaixo dos painéis, há suportes com informações.
Direito à Memória: exposição ‘Costura de cores ancestrais – A Retomada’ estreia em São Luís: com direção artística e idealização da artista manauara Keila-Sankofa, a mostra terá, também, ações como mesa de debate e minicurso

Já o minicurso Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica, ocorrerá nos dias 2 e 3 de abril, das 15h às 18h, ministrada por Patrícia Melo – responsável pela assessoria histórica da exposição. A ação, também gratuita, terá acesso livre nos dois dias de atividade.

Direito à Memória

Direito à Memória é um projeto artístico que, desde 2019, realiza um enfrentamento contra as combinações e projetos de apagamento que se perpetuam sistematicamente, além de propor através da arte, em parceria com a história, um olhar ampliado que narra e retifica referências negativas impostas às populações negras e indígenas no território Amazônico.

O Direito à Memória é uma escrita poética de humanização da memória de vidas pretas e indígenas – um cavamento histórico, que além de uma pesquisa artística, é uma ação contracolonial.

Imagem: Hamyle Nobre, cortesia, Alex Costa, cortesia, Alonso Junior, cortesia


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