A vida e a obra do poeta maranhense Nauro Machado se entrelaçam em Nau de Urano, que começa a ser filmado este mês, em São Luís. O longa-metragem é dirigido pelo filho de Nauro, Frederico Machado — cineasta reconhecido por seus filmes autorais —, e por sua sobrinha, Helena Machado, escritora, roteirista e dramaturga conhecida por seu romance, Memória de Ninguém, e por peças teatrais que exploram a complexidade das relações humanas e os dilemas existenciais.
Apaixonados por narrativas disruptivas e tendo como referências cineastas como David Lynch, Alejandro Jodorowsky e Andrei Tarkovsky, os diretores criaram um longa que oscila entre o cinema e o teatro; a literatura e as artes plásticas; o artista e sua obra. No papel do poeta, um dos mais respeitados da Língua Portuguesa, está um dos mais celebrados atores do país, Matheus Nachtergaele, conhecido por O Auto da Compadecida e Cidade de Deus. O elenco ainda traz Buda Lira e Nanego Lira, irmãos na vida real, como os irmãos de Nauro; Dani Barros como a esposa e também escritora Arlete; e Bete Mendes, que volta ao cinema depois de mais de dez anos para viver a mãe do poeta.



Nascido em uma família da alta aristocracia maranhense, irmão mais novo de Mauro e Dauro — dois homens tão inteligentes quanto atormentados, Nauro Machado perde o pai aos 12 anos e se tranca no porão do sobrado para nunca mais sair. Entre entulhos, livros e garrafas de bebida, descobre o sexo e a poesia, que se torna o objetivo e a ferramenta pela qual se mantém vivo. O roteiro se inspira na relação simbiótica do poeta entre o pessoal e sua obra, acompanhando sua trajetória da infância à morte.
As filmagens de Nau de Urano vão até 25 de abril, em uma casa no Centro Histórico de São Luís. A produção é da Lume Filmes, em parceria com Auras Produções, Macabéa Filmes e Filmes de Brinquedo.
Nau de Urano
Nau de Urano entrelaça vida e obra de Nauro Machado, um dos grandes nomes da Língua Portuguesa. Alcoólatra solitário, o poeta começou a escrever e beber ainda na infância, após a morte do pai — episódio que marca sua reclusão e sua relação com o mundo. O filme investiga seu imaginário e suas obsessões, explorando os vínculos com o álcool, a poesia, as três mulheres que o cercavam, os dois irmãos — tão geniais quanto atormentados — e a cidade de São Luís.
Imagem: Frederico Machado, cortesia








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