Em fevereiro, o Nordeste registrou 1,16 milhão de empresas inadimplentes, segundo os dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da datatech Serasa Experian. Ao todo, foram contabilizadas 6,03 milhões de dívidas negativadas na região, que somaram R$ 17,6 bilhões no período.
Entre os Estados, a Bahia concentrou o maior número de empresas negativadas, com 324,17 mil CNPJs inadimplentes, seguida por Pernambuco (211,01 mil) e Ceará (185,39 mil). Entre os Estados da região, o Rio Grande do Norte apresentou o maior ticket médio das dívidas (R$ 3,33 mil), enquanto Pernambuco registrou a maior dívida média por empresa (R$ 15,15 mil).
Cenário nacional
A inadimplência entre as empresas voltou a subir em fevereiro de 2026 e atingiu mais de 8,8 milhões de CNPJs em todo o Brasil. O resultado representa leve alta em relação a janeiro, mantendo o indicador em um patamar próximo à máxima histórica registrada em dezembro de 2025.
No período, o total de dívidas negativadas chegou a 60,7 milhões, somando R$ 204,6 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía cerca de 7 contas negativadas, com dívida média de R$ 23,21 mil por CNPJ e ticket médio de R$ 3,37 mil.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que “a inadimplência das empresas mantém uma trajetória de crescimento ao longo da série histórica recente, sem sinais consistentes de reversão. O ambiente de crédito permanece restritivo, com custos financeiros elevados e maior seletividade na concessão, o que limita a recomposição de caixa das empresas e sustenta a necessidade de rolagem e alongamento de passivos, mantendo a inadimplência em patamares elevados”.
Setores inadimplentes
O setor de Serviços concentrou 55,4% das empresas negativadas em fevereiro. Na sequência aparecem Comércio (32,6%), Indústria (8,1%) e o Setor Primário (0,9%).
“A maior concentração da inadimplência no setor de Serviços está alinhada à sua relevância estrutural na economia brasileira. O segmento responde por cerca de dois terços do PIB (Produto Interno Bruto) do país e concentra a maior parte das empresas formalmente ativas, o que torna natural sua maior participação no total de empresas negativadas. Ao longo do tempo, a ampliação do peso do setor de serviços no PIB e no número de CNPJs contribui para explicar a elevação gradual de sua participação na inadimplência, sem que isso, necessariamente, indique uma deterioração relativa frente aos demais setores”.
Perfil das dívidas inadimplidas
Em relação a origem das dívidas, o maior peso ficou com Serviços (31,5%), seguido por Bancos/Cartões (19,5%).
“As dívidas inadimplidas associadas a empresas do setor de serviços estão, em geral, relacionadas a compromissos com fornecedores e a despesas operacionais necessárias à manutenção da atividade. Já a elevada participação de bancos e cartões como origem das dívidas reflete o uso recorrente de crédito e instrumentos financeiros pelas empresas para gestão do capital de giro”, explica a executiva da datatech.
Visão nacional
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes, com 4,89 milhões de CNPJs, seguido por Sul (1,49 milhão) e Nordeste (1,17 milhão). As regiões Centro-Oeste e Norte registraram 763 mil e 496 mil empresas inadimplentes, respectivamente. A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões, o que amplia a exposição ao crédito e, consequentemente, a inadimplência. Entre os Estados, São Paulo liderou com 3,03 milhões empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais (866,05 mil) e Rio de Janeiro (856,46 mil).
Micro e pequenas empresas
As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência no país, com 8,4 milhões CNPJs negativados em fevereiro de 2026. O grupo concentrou 55,1 milhões de dívidas e R$ 178,61 bilhões em débitos. Esse porte representou 95,2% das empresas inadimplentes, 90,8% das dívidas e 87,3% do valor total devido. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,6 contas em atraso, com dívida média de R$ 21,29 mil e ticket médio de R$ 3,24 mil.
“As micro e pequenas empresas são mais sensíveis ao ambiente de crédito restritivo, pois dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação de prazos e custos financeiros. Com juros ainda elevados e concessão mais seletiva, essas empresas enfrentam maior dificuldade para recompor capital de giro, o que contribui para a persistência da inadimplência nesse segmento”, avalia a economista-chefe.
Imagem: Mikhail Nilov/Pexels








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