Maranhão é terra de gato: 1 em 3 lares tem felino

Estado tem segunda maior proporção de lares com gatos no país; cuidados com saúde e comportamento exigem atenção dos tutores

Quem convive com um deles, já sabe: gatos podem escolher o lugar mais improvável da casa para dormir, sumir por horas e reaparecer como se nada tivesse acontecido ou simplesmente decidir que aquela caixa de papelão é muito mais interessante do que o brinquedo comprado especialmente para eles. E, pelo que indicam os números, muitos maranhenses estão familiarizados com essa rotina.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 31,5% dos domicílios do Maranhão conta com pelo menos um gato entre os moradores. O percentual está mais de dez pontos acima da média brasileira, de 19,3%, e coloca o estado com a segunda maior presença de felinos, atrás apenas do Piauí (32,6%)

Os bichanos têm fama de independentes, mas isso cria também uma armadilha: acreditar que eles também precisam de menos cuidados. “Esse é um dos principais equívocos sobre os gatos”, alerta Elias Victor Figueiredo dos Santos, professor do curso de Medicina Veterinária da Estácio. Segundo o especialista, deixar de realizar consultas ou atrasar o calendário vacinal estão entre os erros que podem surgir dessa percepção. E existe um motivo adicional para ficar atento: gatos podem ser bastante discretos quando alguma coisa não vai bem.

Comportamento

Nem sempre um gato doente vai demonstrar de maneira evidente que está sentindo dor. Às vezes, o sinal de alerta aparece justamente em pequenas mudanças que, para um observador menos atento, podem ser confundidas com uma “mania” nova do animal.

Passar mais tempo escondido, brincar menos, perder o apetite, começar a beber mais água ou fazer as necessidades fora da caixa de areia são comportamentos que merecem atenção. “Os gatos são muito bons em esconder sinais de dor e doença, por isso pequenas mudanças na rotina merecem atenção”, explica Elias. O professor acrescenta à lista outros comportamentos de alerta: deixar de se lamber, apresentar dificuldade para se movimentar ou simplesmente mudar de temperamento sem uma causa aparente.

Por isso, é importante conhecer a rotina do próprio animal. Se aquele gato que costumava circular pela casa começa a passar boa parte do dia escondido, por exemplo, a mudança não deve ser automaticamente atribuída ao temperamento.

Outro engano comum é imaginar que o gato criado exclusivamente dentro de casa está protegido a ponto de não precisar de acompanhamento vacinal. As vacinas polivalentes, como V3, V4 e V5, a antirrábica e a proteção contra a FeLV, o vírus da leucemia felina, estão entre as principais vacinas utilizadas para gatos.

O docente explica, porém, que esse protocolo pode variar em função do animal. As indicações de vacina dependem de fatores como idade, histórico de vacinação, condições de saúde e risco de exposição. “Mesmo gatos que vivem exclusivamente dentro de casa devem ter seu protocolo avaliado individualmente”, ressalta o professor. As doses de reforço também devem ser definidas pelo médico-veterinário conforme as características de cada animal e as recomendações da vacina utilizada, ou seja, outro motivo para nunca deixar de lado o acompanhamento preventivo.

Para quem contribui para a estatística maranhense com dois, três ou até mais felinos em casa, os cuidados aumentam. E não se trata apenas de colocar mais comida no pote. Gatos que dividem o mesmo ambiente precisam ter recursos suficientes para diminuir a competição e o estresse. Isso inclui diferentes espaços para descanso e esconderijo, pontos de água e alimentação e caixas de areia em quantidade adequada e distribuídas pela casa.

“A organização deve considerar tanto a quantidade de gatos quanto as características de cada um. É importante oferecer recursos suficientes para reduzir a competição e o estresse”, explica.

Pode dar um pedacinho da nossa comida? Melhor não

Aquela carinha interessada enquanto alguém prepara o almoço pode ser convincente, mas dividir o almoço com o gato não é uma boa ideia. Segundo Elias, gatos são carnívoros obrigatórios e possuem necessidades nutricionais específicas. Por isso, precisam receber alimentação completa e equilibrada, compatível com a idade e as condições de saúde.

“Alguns alimentos comuns na dieta humana podem ser inadequados e até tóxicos para os felinos. Sendo assim, não é recomendado oferecer comida da nossa dieta de forma indiscriminada”, orienta Elias. Até mudanças na alimentação habitual devem ser discutidas com um médico-veterinário, especialmente quando o animal possui alguma condição de saúde.

O desafio para os tutores é não confundir independência com ausência de cuidados. “Mesmo aquele gato que parece capaz até de comandar a casa sozinho continua dependendo de vacinação, alimentação adequada, prevenção e, principalmente, de um olhar atento às pequenas mudanças de comportamento”, conclui Elias.


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