Com Bruna Linzmeyer, terror 'Virtuosas' tem estreia mundial no Festival do Rio: no longa dirigido por Cíntia Domit Bittar, o discurso conservador de mulheres ditas virtuosas descamba para o absurdo e o terror; estreia ocorre no dia 10 de outubro

‘Virtuosas’: terror feminista estreia no Festival do Rio

Dirigido por Cíntia Domit Bittar, o longa com Bruna Linzmeyer transforma um retiro feminino em uma crítica afiada sobre fé, poder e ambição

No dia 10 de outubro, o filme Virtuosas, da cineasta Cíntia Domit Bittar, estreia no Festival do Rio, o maior festival de cinema da América Latina. O terror, que tem produção da Novelo Filmes, produção associada da Cajamanga e coprodução da Olhar Filmes, foi selecionado para a mostra competitiva ‘Première Brasil: Ficção’ e é o primeiro longa-metragem de ficção da diretora catarinense. A obra se passa em um retiro VIP para mulheres, que estão em busca de sua melhor versão. Porém, tudo se transforma em uma jornada absurda e perigosa.

Bruna Linzmeyer, Maria Galant e Juliana Lourenção fazem parte do elenco principal. Linzmeyer dá vida à Virgínia, uma coach que tem como o foco o público feminino conservador e que prega sobre os valores da mulher virtuosa e seu papel na família e na sociedade. Um desconforto rapidamente se instala e, conforme o retiro avança, a tensão cresce na tela por meio do fascínio e inquietação do público diante das atitudes das personagens, surpreendendo-se com até onde podem chegar.

“A ideia da ‘mulher virtuosa’, embora desconhecida por muitos, é um conceito comum em contextos conservadores. Mergulhei em uma densa pesquisa sobre o assunto, em busca de verossimilhança e solidez para a criação das personagens, dos diálogos, da estética como um todo. E, a partir desse contexto, exploro as possibilidades do terror, trabalhando com o absurdo, a ironia e a tragédia”, explica a diretora Cíntia Domit Bittar.

Virtuosas promove uma narrativa de suspense com uma inquietude constante e sem motivo tão explícito no início, com humor ácido e um final amargo. “O terror é um gênero que me fascina desde a infância. É muito rico e são diversas as maneiras de evocar o medo e o estranho. Um território fértil para abordar temas contemporâneos da sociedade e tecer críticas, ainda mais no meu caso, pois o que mais me assusta não são demônios e espíritos, mas sim a maldade das pessoas e até onde elas são capazes de ir para conseguir o que querem”, comenta a diretora, que explora o feminismo no terror de forma diferente da usual final girl. “É interessante e desafiador ampliar o conceito do olhar feminista para o cinema a partir do terror, já que o lugar comum disso é a mulher que sobrevive, a mulher que é possuída, a mulher que dá a luz ao demônio, a que vence o mal e por aí vai. Acredito que uma forma de contribuir é criar mulheres ambíguas, por vezes sem qualquer escrúpulo, porque são demasiadamente e monstruosamente humanas. Isso também é fortalecer mulheres no cinema, pois trazer a complexidade e a contradição é trazer humanidade. E é também colocar as personagens mulheres em foco, já que é sobre elas e não sobre algum personagem homem que está ali”. Cíntia acrescenta que “é empolgante ver o gênero em alta mais uma vez”.

A produção, que foi filmada em Florianópolis, em Santa Catarina, ainda reúne no elenco, Sarah Motta, Brisa Marques, Nenê Borges, Fernando Bispo e participação especial de Gabriel Godoy.

“Acredito que Virtuosas vai surpreender por apresentar um tema fresco, ainda pouco explorado na cinematografia nacional, mas muito presente e forte na vida de milhares de pessoas – que é o movimento de mulheres cristãs conservadoras de classe média, muitas inclusive já imbricadas na política institucional do país. Este é um excelente momento para colocarmos o filme na rua, estamos muito felizes com essa oportunidade de mostrar nosso trabalho e afirmar o gênero como uma das principais apostas da Novelo Filmes”, afirma a produtora e produtora executiva Ana Paula Mendes.

Virtuosas foi premiado no programa Goes to Cannes, uma vitrine de filmes em pós-produção realizada pelo Marché du Film do Festival de Cannes deste ano. O longa foi um dos cinco projetos brasileiros escolhidos por meio do edital da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC), com curadoria do Festival do Rio. O projeto foi viabilizado com recursos do edital Prêmio Catarinense de Cinema, da Lei Paulo Gustavo e do FSA. A distribuição é da Olhar Filmes.

No Festival do Rio, o filme tem estreia marcada para o dia 10 de outubro, às 19h15, no Estação NET Gávea. Também haverá sessão no dia 11, às 13h30, no Cine Odeon, e no dia 12 de outubro, às 18h45, no Cinesystem Belas Artes.


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