‘O Estrangeiro’: clássico de Camus ganha nova adaptação

Filme de François Ozon estreia nos cinemas brasileiros com releitura existencialista e olhar crítico sobre colonialismo francês

Um dos maiores clássicos da literatura mundial, O Estrangeiro, obra-prima do franco-argelino Albert Camus, ganha uma nova versão cinematográfica pelas mãos de François Ozon. O longa-metragem, que estreou no Festival de Veneza, chega aos cinemas brasileiros em 16 de abril, com distribuição da California Filmes. Na versão de Ozon, o papel das mulheres na história ganha mais espaço e o filme assume uma postura mais questionadora sobre o colonialismo francês.

O filme é estrelado por Benjamin Voisin, parceiro de Ozon em Verão de 85. Ele interpreta Meursault, um francês que vive na Argélia dos anos 1930 e parece indiferente a tudo e a todos. Essa apatia começa a se transformar quando ele recebe a notícia da morte de sua mãe e, pouco depois, vive um encontro trágico que termina em assassinato. O elenco ainda traz Rebecca Marder, Pierre Lottin, Swann Arlaud e a dupla Denis Lavant e Mireille Perrier, astros do cult francês Sangue Ruim.

Marco do existencialismo, a novela de Camus já havia sido adaptada para o cinema por Luchino Visconti e inspirou a letra de Killing an Arab, clássico da banda The Cure – usado na trilha sonora do novo filme. O Estrangeiro teve quatro indicações ao César, principal prêmio do cinema francês, com Pierre Lottin vencendo como Melhor Ator Coadjuvante. Benjamin Voisin conquistou o Prêmio Lumière, o equivalente francês ao Globo de Ouro, que também premiou o longa como Melhor Filme e Melhor Fotografia.

O Estrangeiro

Baseado no clássico romance de Albert Camus, o filme acompanha Meursault, um francês que leva uma vida aparentemente banal na Argélia dos Anos 1930. Distante das convenções sociais e incapaz de expressar emoções da forma esperada pelos outros, ele vê sua rotina ser interrompida pela morte da mãe e por um encontro trágico em uma praia ensolarada.

O episódio desencadeia um julgamento em que não apenas o crime é analisado, mas também a personalidade e a postura de Meursault diante do mundo. Filmado em preto e branco, e estrelado por Benjamin Voisin, o longa revisita o universo existencialista da novela de Camus enquanto François Ozon amplia o olhar sobre as personagens femininas e o contexto colonial francês.

François Ozon

Um dos diretores mais conhecidos do cinema francês nas últimas décadas, François Ozon estreou no comando de um longa-metragem com Sitcom – Nossa Linda Família (1998), depois de dirigir diversos curtas e um média. Gotas D’Água em Pedras Escaldantes (2000) concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim e ganhou o Teddy, prêmio para o melhor filme LGBT do evento. Sob a Areia (2000) indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes. 8 Mulheres (2002), musical protagonizado por um elenco feminino estelar, recebeu o Urso de Prata de Melhor Contribuição Artística no Festival de Berlim.

Entre seus principais trabalhos estão Swimming Pool – À Beira da Piscina (2003); O Tempo Que Resta (2005); Potiche – Esposa Troféu (2010), que competiu no Festival de Veneza e concorreu ao BAFTA de filme em língua estrangeira; Dentro da Casa (2012), vencedor da Concha de Ouro em San Sebastián; Frantz (2016), Grande Prêmio do Júri em Veneza, e Graças a Deus (2018), Grande Prêmio do Júri em Berlim. Em mais de três décadas, Ozon trabalhou com alguns dos principais nomes do cinema europeu, como Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Charlotte Rampling, Fanny Ardant e Gérard Depardieu.

Imagem: Carole Bethuel/Foz/Gaumont/France 2 Cinema, California Filmes, cortesia


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