Em um relato real, direto e impactante, a jornalista Irene Vucovix narra a experiência extrema de uma mãe que vê o próprio filho se perder. Em O Filho Perdido, a autora transforma sua vivência em um testemunho corajoso sobre amor, impotência e os limites da maternidade diante de uma realidade que foge a qualquer controle.
A obra, de caráter autobiográfico, apresenta a dolorosa trajetória de seu único filho, diagnosticado, ainda jovem, com transtorno de personalidade antissocial e envolvido com drogas e criminalidade ao longo da vida. Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha sua progressiva deterioração emocional, psicológica e física, culminando em sua morte aos 39 anos, em 2017.
Escrevi em primeira pessoa, como se estivesse conversando com ele, e de certa forma, estava, pois há tantos assuntos sobre os quais nunca falamos, tantas palavras nunca ditas, tantas feridas não curadas, tanto amor sufocado
Com uma escrita intensa e sem romantizações, a autora expõe os desafios enfrentados por famílias que lidam com dependência química, violência e sofrimento psicológico, abordando sentimentos como culpa, vergonha, amor e impotência. “Tinha esperança de que ele pudesse levar uma vida digna e feliz. Não consegui”, afirma Irene. O relato também contrasta a infância afetuosa do filho com sua vida adulta marcada por comportamentos destrutivos.
Escrito após a morte do filho, o livro nasce de um processo emocional profundo e fragmentado, e se consolida como um testemunho sobre os limites do amor materno. Ao mesmo tempo, a obra dialoga com a realidade de famílias que enfrentam dramas semelhantes, trazendo à tona um tema frequentemente silenciado.
Irene Vucovix
Paulistana, jornalista formada na Universidade de São Paulo, nos anos 70, trabalhou na área durante toda a vida profissional. Ainda na faculdade, foi repórter da editora Abril. Depois, durante a Década de 1980, foi repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo; por mais de 20 anos, dirigiu uma agência de comunicação, que chegou a figurar entre as maiores do mercado. Em 2023, seu conto Retalhos ficou entre os três selecionados do Prêmio Arte e Literatura USP60+. Em 2024, o conto Senhora dos Solitários foi um dos 10 escolhidos pela editora Sinete para a antologia Quem, onde e adeus. O Filho Perdido é seu primeiro romance.








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