O maior presente

Hoje, o maior presente seria ter você por mais tempo, não importa quanto

Mãe,

Sei que esta será mais uma entre tantas datas que vão me fazer lembrar ainda mais de você.

Nunca fomos muito sociais, nem de comemorar o Dia das Mães com almoços ou saídas. Sempre preferimos tornar essas datas especiais de forma mais reservada, em casa mesmo. Ainda assim, hoje eu faria de tudo para te mimar: um café da manhã especial, um almoço em um restaurante legal, um passeio divertido… qualquer coisa. Na verdade, penso que o maior presente, nesta data, seria tempo.

Quando perdemos alguém assim, ainda mais de forma tão repentina, é inevitável refletirmos sobre muitas coisas. Nunca fui de me arrepender do que fiz ou deixei de fazer, mas, depois de passar por algo assim, não tem como escapar da sombra desse sentimento. Porque sempre vamos nos perguntar se fizemos o suficiente.

A vida é curta”, dizem. É uma questão de tempo: você ainda tinha tanta coisa para viver, experimentar, aprender e ensinar. Mas o tempo é relativo: em um mês, você foi de esbanjar disposição ao descanso eterno; e cinco minutos nos separaram de um último abraço, de uma despedida.

A saudade de você vem o tempo todo, até mesmo em pequenas tarefas do dia a dia: lembro da forma que você vinha, quase que como uma espiã, ver se eu já estava acordado logo cedo; dos nossos papos – sobre os mais diversos assuntos – durante o almoço e jantar; do momento em que sentávamos um pouco no quintal no fim da tarde; das noites em que ficávamos juntos assistindo TV na sala, em que, confesso, só ficava para te fazer companhia; e da nossa despedida diária antes de dormir, em que fazíamos uma ‘guerra’ de corações, de quem amava mais um ao outro – gesto tão carinhoso que, intuitivamente, levei ao hospital em seus últimos dias.

Seu carinho e seu amor estavam presentes em cada ação, desde a minha infância até a vida adulta. Você cuidou do seu filho até os últimos dias, como só uma mãe sabe fazer.

Hoje, o maior presente seria ter você por mais tempo, não importa quanto. Queria mais tempo para ouvir suas histórias, compartilhar novas descobertas, ouvir suas piadas e fazer aquele cafuné que você sempre me pedia.

De certo modo, você ainda continua muito presente. Como acontece com qualquer mãe ou pai, você virou a voz da minha consciência. O tempo todo eu penso: “como ela faria isso?”, “o que ela pensaria sobre tal coisa?”, “que solução ela encontraria para esse problema?”. Acredite: ainda faço muitas coisas exatamente da forma como você fazia, sem sequer questionar o motivo.

Um dos seus maiores ensinamentos foi o exercício da paciência. Nos meus rompantes, quando ela me falta, tento imaginar como você me acalmaria com seu jeito tão pacificador.

Às vezes, a vida nos torna um pouco individualistas. Passei esse tempo todo pensando que tudo isso que desejei seria o melhor para você, mas, na verdade, acho que seria o melhor para mim.

Agora, deixando o altruísmo de lado, perdoem-me os outros filhos, mas preciso dizer: você foi a melhor mãe do mundo. E o maior presente da minha vida foi ter tido o privilégio de ser seu filho.

Te amo para sempre.


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