Sol no trabalho eleva risco de câncer de pele em 60%

Exposição solar ocupacional ameaça milhões de trabalhadores e exige proteção diária contra doenças graves na pele

Entregadores de comida por aplicativo, mototaxistas, vendedores ambulantes, operários da construção civil, trabalhadores rurais, todos eles têm algo em comum: trabalham diariamente debaixo do sol. Dados da Revista Brasileira de Cancerologia, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), apontam que cerca de 23,5% dos trabalhadores brasileiros estão constantemente expostos ao sol durante suas atividades profissionais. Em todo o mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que 1,6 bilhão de pessoas trabalham sob exposição solar frequente, o equivalente a 28% da população economicamente ativa global. O problema: eles têm 60% mais risco de desenvolver câncer de pele não melanoma.

Cláudio Cardoso

Estudos apontam, ainda, que quase uma em cada três mortes causadas por esse tipo de câncer está associada justamente à exposição solar ocupacional. No Brasil, o câncer de pele já é o tumor mais frequente do país e representa cerca de 30% de todos os casos registrados, segundo o Inca. “A exposição prolongada ao sol, além de ser um dos fatores de risco para o câncer de pele devido à radiação ultravioleta (UV), pode alterar o DNA das células, favorecendo assim o surgimento de tumores”, explica o médico de família e comunidade, pós-graduado em dermatologia e professor do Idomed Fameac, Cláudio Cardoso.

O especialista destaca, ainda, que a exposição prolongada ao sol durante um dia de trabalho pode ser responsável por outras condições menos conhecidas. Entre elas, destaca-se a ceratose actínica, uma lesão pré-cancerígena caracterizada por manchas ásperas e escamosas em áreas como rosto, mãos e braços. “Outra condição comum é o melasma, que consiste em manchas escuras na pele, agravadas pela exposição solar sem proteção”, explica. Outra condição destacada pelo professor é a fotodermatite, uma reação inflamatória causada pela interação entre os raios UV e a sensibilidade a produtos ou medicamentos, como no caso das manchas provocadas pelo contato do limão com a pele exposta ao sol.

Minimizando os riscos

Segundo a professora do curso de biomedicina da UniFacimp Wyden, Monick Miranda, o protetor solar segue sendo a principal forma de proteção para trabalhadores ao ar livre. Ela reforça, porém, que ele sozinho não é suficiente. “O uso do protetor deve ser associado a medidas físicas, como chapéus, roupas com proteção UV e óculos escuros. Também é preciso reaplicar o produto a cada três horas”, explica.

Monick também orienta atenção na escolha do protetor solar e do fator de proteção solar (FPS) mais adequado para cada situação. Segundo a especialista, para a rotina diária, a recomendação é utilizar produtos com FPS igual ou superior a 30. Já em casos de exposição intensa ao sol, como atividades ao ar livre ou longos períodos sob radiação solar, o ideal é optar por FPS 50 ou superior. “Além do nível de proteção, é importante escolher produtos com proteção contra raios UVA e UVB e, de preferência, também contra a luz visível, sempre considerando as fórmulas adequadas para cada tipo de pele”, orienta.

E, para quem já sofre com manchas solares na pele e busca meios de minimizá-las, existem alternativas. “Há meios eficazes e seguros, como peelings químicos, microagulhamento, laser, luz pulsada e dermocosméticos clareadores, que ajudam a melhorar manchas e sinais de envelhecimento, desde que associados ao uso rigoroso de fotoproteção”, detalha Monick.

Imagem: Magnific


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