O 6º Seminário de Arte, Educação e Cultura, realizado anualmente pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), ocorre nos dias 8, 9 e 10 de julho, com entrada gratuita e aberta ao público. Entre palestras, conversas abertas e uma mostra de documentários, o evento conecta a população em geral aos fazedores de cultura brasileira.
O tema central desta edição é “Saberes da Cultura Popular: Construção e Partilha”. Com curadoria do Núcleo Educativo do CCVM, o Seminário busca propor reflexões sobre os processos de construção e partilha de saberes na cultura popular, a partir das perspectivas de seus representantes, em diálogo direto com setores da sociedade, com o objetivo de discutir sobre a importância do pensamento popular na produção de uma sociedade insubmissa, compreendendo também quais as estratégias de resistência desses grupos e muito mais.



Sobre a importância da sexta edição do Seminário de Arte, Educação e Cultura, Ubiratã Trindade, coordenador do Núcleo Educativo do CCVM, responsável pela curadoria do evento, comenta: “O Seminário de Arte, Educação e Cultura do CCVM tem como propósito incentivar o pensamento livre e implicado com a crítica, sobre aspectos fundamentais da produção humana: a arte, a educação e a cultura. Nesses cinco anos podemos fazer conhecer outras perspectivas de mundo e valores que provocam as nossas ideias conformadas. Etnias indígenas, grupos de cultura popular e pensadores de diversas áreas das humanidades nos apresentaram compreensões e provocações importantes para desconstruirmos conceitos e nos abrirmos para as diferenças, movimentos valiosos na construção de uma sociedade comprometida com a dignidade humana”.
Seminário de Arte, Educação e Cultura
8 de julho (quarta-feira)
10h-12h
Palestra — Como se constrói um saber?
Convidados(as): Carolina Martins, Mestra Duca e Mestra Bita do Boi de Pindaré
A pergunta é o ponto central do evento que marca a abertura do 6º Seminário de Arte, Educação e Cultura do CCVM. O “Saber” aqui representa todas as produções nascentes do território popular. A partir desse questionamento, histórias sobre pessoas e coisas, acontecimentos e sonhos, revelarão processos de construção de saberes, que se dão de forma articulada nas comunidades. Onde arte, cultura e educação se atravessam fluidamente, por uma questão de entendimento de mundo. A educação para a vida a partir de uma brincadeira de boi; a convivência profunda entre as gerações distintas e a liderança comunitária serão os temas desta conversa entre a mestra Duca do Bumba Meu Boi Mimo de Santo Antônio, mestra Bita do Boi de Pindaré e a pesquisadora Carolina Martins.
17h-19h
Conversa Aberta — Cultura popular, juventude e urbanidade
Convidados (as): Mano Magrão – Movimento Hip-hop; Jhonatan Oliveira – Boi de Maracanã; Ju do Coroadinho
Mediadora: Vania Lucia Baptista Duarte
Evidenciar as potencialidades da cultura popular como princípio educativo é o que propõe essa mesa. A partir das suas próprias trajetórias em comunidades periféricas, os convidados compartilharão perspectivas sobre estratégias de resistência e transformação social, provindas da experiência coletiva. O Tambor de Crioula, o Bumba Meu Boi, o Rip-hop e muitas outras expressões, coexistem como linguagem de emancipação em territórios esquecidos pelo poder público, mas ocupados com o vigor e a sensibilidade de poéticas produzidas pela experiência cotidiana de quem faz arte com as próprias mãos, construindo sentidos em redes de convivência.
19h00
Mostra de Documentários
Filme: Onde a coruja dorme
Duração: 51m 36s
Sinopse: O filme mostra a relação de Bezerra da Silva com seus compositores, anônimos garimpados por ele “onde a coruja dorme”, nos morros cariocas e na baixada fluminense. Daí surgem sambas feitos por trabalhadores, crônicas cáusticas mas bem-humoradas de gente simples que mora na favela e conta seu dia-a-dia nas músicas.
9 de julho (quinta-feira)
10h-12h
Palestra — Entre renovação e permanência: saberes em rotação no Baile de São Gonçalo na Baixada Maranhense
Convidados(as): Manoel Barros (Manuelzinho)
A palestra enfocará facetas diversas do Baile de São Gonçalo. Remontará aspectos da trajetória da manifestação de Portugal para o Brasil. Em seguida, indicará como ela foi ganhando corpo no Maranhão, marcando duas experiências distintas: como um Auto (o Baile), na Baixada Maranhense, e como um Folguedo (a Jornada ou Terço), nos vales dos rios Munim e Periá e no Baixo Parnaíba. Adiante, apresentará como a oralidade é estruturante nos preparativos, no aprendizado e na realização do auto gonçalino. Depois, será demonstrado como devotos, guias, músicos, dançantes e assistência lidam com tradições em tensão entre a permanência e a mudança. Por fim, aponta-se uma prospectiva para a manifestação gonçalina.
17h-19h
Conversa Aberta — Educação para a liberdade
Convidados (as): Vania Lucia Baptista Duarte, Liça Pataxoop e Saniwe Pataxoop
Mediador: Carolina Martins
A mesa propõe refletir acerca dos possíveis diálogos entre a educação dos saberes da experiência (educação popular) e os projetos de educação institucional, como também, as impossibilidades e incongruências que atravessam a relação entre esses sistemas de educação. Os convidados, apresentam as suas vivências como ativistas por um conceito ampliado de educação, em consonância com as experiências dos próprios educandos, considerando seus modos de vida, contextos e expectativas. Além de compartilharem os seus métodos e estratégias de educar para a autonomia, favorecendo a análise em relação aos impasses e possibilidades na construção de uma educação libertadora.
19h
Mostra de Documentários
Filme: Latcho Drom
Duração: 103m
Sinopse: Um retrato poético da cultura cigana, que acompanha as viagens realizadas pela comunidade Rom, desde a Índia, passando pelo Egipto, Turquia, Roménia, Hungria, Eslováquia, França e Espanha. Seguindo o percurso de diversas bandas, músicos e bailarinos da cultura cigana, este filme (que oscila entre vários géneros) é uma espécie de ensaio etnográfico, íntimo e apaixonado, sobre este povo.
10 de julho (sexta-feira)
10h
Palestra — Histórias da Antiguidade (Popular Brasileira)
Convidada: Ana Lívia Bonfim Vieira
Essa palestra tem o objetivo de responder a seguinte pergunta: Existe História Antiga do Brasil? E do Maranhão? Acreditamos que a resposta seja sim! Contudo, a História tradicional convencionou chamar esse período de “Pré-História”. Nos propomos a promover um diálogo com a intenção de demonstrar que temos uma história tão antiga e tão culturalmente rica quanto os gregos ou romanos tiveram. E podemos perceber isso a partir das permanências de práticas de produção de cultura material e imaterial que estão vivas até os dias atuais.
17h-19h
Conversa Aberta — A toada: o ponto do saber
Convidados(as): Ribinha de Maracanã; Darlan Passos; Jacyara Vieira
Mediador: Marcos Tadeu
Relatos sobre a construção do artista popular. A toado como testemunho da memória e da experiência com o mundo. Uma conversa sobre educação na experiência com o sensível é o que norteia essa mesa. Os convidados revisitam as suas histórias de formação, contando sobre as suas relações com as brincadeiras, com os seus mestres e o direcionamento para a criação. O tornar-se artista cantador e o compromisso com a coletividade. A mesa é composta por mestres da toada, representantes do Bumba Meu Boi da Baixada, Bumba Meu Boi de Matraca e Tambor de Crioula, com objetivo de entender a importância desses elementos nos complexos sistemas de educar e conhecer no seio da cultura popular.
19h
Mostra de Documentários
Filme: Antiguidades do Maranhão – Temos uma antiguidade
Duração: 22m
Sinopse: A websérie “Antiguidades do Maranhão” é produto de doutorado do pesquisador Marcos Tadeu Nascimento da Silva e conta com 4 capítulos que, através da educação patrimonial, fazem uma discussão profunda sobre os contextos históricos milenares de ocupação humana no território que hoje é o Maranhão.
Todas as atividades do CCVM são gratuitas e abertas ao público, sem necessidade de inscrição prévia.







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