Brincadeiras para fortalecer laços antes da volta às aulas

Atividades simples reforçam confiança, segurança emocional e convivência entre pais e filhos nos últimos dias de férias

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Com a rotina de trabalho, as tarefas de casa e a presença constante das telas, nem sempre os pais conseguem aproveitar as férias com os filhos como gostariam. Agora, com a volta às aulas se aproximando, pode surgir a sensação de que faltou tempo para criar momentos especiais em família. Mas ainda dá tempo: brincadeiras simples, que não exigem grandes investimentos nem planejamentos elaborados, podem ajudar a transformar os últimos dias do recesso em boas lembranças.

Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que uma em cada cinco crianças de 2 a 4 anos no mundo não brinca com seus pais ou cuidadores em casa, enquanto quatro em cada 10 não recebem estímulos suficientes por meio de atividades simples, como brincar, contar histórias ou cantar. Especialistas alertam que esses momentos não só fortalecem o vínculo afetivo entre pais e filhos como favorecem o desenvolvimento infantil.

Judson Alves, coordenador de Psicologia do UniFacimp Wyden

“O lazer compartilhado traz benefícios para crianças e adultos. Ajuda a fortalecer a confiança, aproxima os membros da família e cria um ambiente de segurança emocional”,explica o psicólogo e professor do UniFacimp Wyden, Judson Alves. Segundo ele, o tempo compartilhado entre a criançada e os pais traz segurança emocional, ajudando a criança a expressar as emoções e a se sentir acolhida. “Também serve para que a própria família conheça melhor a criança, percebendo suas dificuldades e também suas qualidades, a fim de montar estratégias para o seu cuidado integral”, explica.

Se você acredita que é difícil encontrar tempo, a boa notícia é que não são necessários grandes investimentos nem passeios elaborados. Segundo o especialista, brincadeiras simples já são capazes de fortalecer os vínculos familiares.

Veja ideias do que fazer em casa não só nos últimos dias de férias, mas sempre que houver oportunidade de passar um tempo em família.

Pique-esconde

Uma brincadeira clássica que estimula o movimento, a atenção e a interação entre crianças e adultos. Além de incentivar a atividade física, ajuda a desenvolver a autonomia, a percepção do espaço e a capacidade de lidar com pequenas frustrações, como esperar a vez ou ser encontrado. Quando os pais participam, o momento ainda fortalece a sensação de segurança e pertencimento da criança.

Mímica

Além de divertida, a mímica estimula a criatividade, a comunicação e a cooperação entre todos os participantes. Como a brincadeira depende da observação e da interpretação de gestos e expressões, ela incentiva as crianças a desenvolverem a empatia, ampliarem o repertório de comunicação e aprenderem a trabalhar em equipe de forma leve e descontraída.

Jogos de tabuleiro

Além de proporcionarem momentos de convivência em família, os jogos de tabuleiro estimulam o raciocínio lógico, o planejamento e a tomada de decisões. Também ajudam as crianças a lidar com vitórias e derrotas, exercitando a paciência, o respeito às regras e a capacidade de resolver desafios de forma colaborativa.

Artes e pintura

Desenhar, pintar, fazer colagens ou criar pequenos trabalhos manuais são atividades que estimulam a criatividade e a imaginação. Além de desenvolverem a coordenação motora e a concentração, elas oferecem um espaço para que a criança expresse sentimentos, compartilhe ideias e fortaleça o vínculo com os pais por meio da criação conjunta.

E quando a criança só quer ficar nas telas?

Videogames, celulares e computadores, entre outros dispositivos, são grandes concorrentes da convivência entre pais e filhos. Mas, segundo Judson, há alternativas para equilibrar essa rotina. “A tecnologia é uma realidade da qual não há como se desvencilhar; a proposta não é proibi-la, mas transformá-la em um recurso para interação”, explica o psicólogo.

As telas devem ser compreendidas como ferramentas, tal como a linguagem ou o desenho, que só cumprem seu potencial positivo quando mediadas por alguém mais experiente. Ao contrário do que muitos imaginam, até mesmo a tecnologia pode aproximar pais e filhos quando utilizados de forma compartilhada.

Na casa da jornalista e publicitária Sueli Brandão, 40, e do filho Vinicius, 13, a diversão conjunta acontece durante todo o ano, e não apenas nas férias. Em vez de enxergar as telas como adversários, Sueli decidiu transformá-los em um momento de convivência.

“Cresci jogando videogame e percebi que fazia muito mais sentido entrar nesse universo junto com ele do que tentar afastá-lo. Escolhemos jogos cooperativos, em que duas pessoas podem jogar juntas, e nosso desafio é tentar zerá-los ao longo de um fim de semana. Enquanto jogamos, conversamos, rimos e compartilhamos um tempo que é realmente nosso”, conta.

Para Judson Alves, esse é justamente o aspecto mais importante.”O que faz toda a diferença é a relação compartilhada, e não os materiais usados. Quando a criança se sente ouvida e valorizada, ganha mais autonomia e confiança para se expressar e conviver melhor”, afirma.

Imagem: Magnific


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