Cansaço persistente: quando corpo pede atenção

Fadiga que não melhora com descanso e mudanças no sono podem indicar problemas de saúde e não devem ser normalizadas

Acordar cansado depois de uma noite inteira de sono. Passar o dia tentando se concentrar em tarefas que antes eram simples. Conviver com dores de cabeça, irritação ou aquela sensação de que a energia nunca é suficiente. Em uma rotina corrida, é fácil atribuir tudo isso ao excesso de compromissos. Mas, quando esses sintomas se tornam frequentes e começam a interferir no trabalho, nas relações e nas atividades do dia a dia, é importante prestar atenção.

Segundo Larissa Bordalo, médica de Família e Comunidade do Hospital São Domingos, o organismo costuma alertar antes que o esgotamento comprometa de verdade a rotina. “O corpo costuma dar sinais antes de ‘quebrar’. Do lado físico, os mais comuns são cansaço que não passa mesmo após descanso, dores musculares e tensão no pescoço e ombros, dores de cabeça frequentes e alterações do sono”, explica.

Problemas digestivos, mudanças no apetite, palpitações e sensação de falta de ar também podem aparecer. No aspecto emocional, irritabilidade, ansiedade, desânimo, sensação de esgotamento e dificuldades de concentração e memória merecem atenção, principalmente quando persistem por semanas.

Causas

“O cansaço comum é proporcional ao esforço, melhora com o descanso e não impede a pessoa de fazer suas atividades. É o cansaço que passa”, explica Larissa. Depois de períodos intensos de trabalho, estudo ou outras atividades, é natural que o organismo precise de descanso. Por isso, nem todo episódio de fadiga representa um problema de saúde. A diferença está, principalmente, no tempo de recuperação.

O sinal de alerta aparece quando dormir ou diminuir o ritmo já não parece suficiente. “Se a fadiga não melhora com o repouso, dura mais de duas semanas ou começa a prejudicar a rotina, o trabalho e o convívio familiar, a orientação é buscar avaliação médica. Não espere piorar de vez”, alerta a médica.

Cansaço persistente, alterações no sono, irritabilidade e dificuldade de concentração também podem ter outras causas. De acordo com Larissa, condições como anemia, alterações da tireoide, distúrbios do sono, diabetes, deficiências vitamínicas, transtornos de ansiedade e depressão e problemas cardiovasculares também podem provocar sintomas semelhantes.

“O sintoma isolado e pontual pode ser passageiro”, explica a médica. Mas é quando esses sinais começam a se repetir e aparecer em conjunto que a atenção deve aumentar. “O padrão recorrente, com vários sintomas ao mesmo tempo, nunca deve ser normalizado como ‘cansaço da rotina’”, destaca.

Alguns sinais exigem atenção ainda maior, como dor no peito, falta de ar, desmaios, febre persistente, perda de peso sem explicação, dores incapacitantes, crises frequentes de choro ou pânico e dificuldade para realizar tarefas básicas, o que pode indicar também problemas emocionais.

Para Larissa, reconhecer esses sinais antes que o quadro se agrave é fundamental. O problema, muitas vezes, está justamente em normalizar sintomas persistentes e continuar ultrapassando os próprios limites. “O afastamento raramente acontece de surpresa. O corpo avisa antes: o que precisamos fazer é escutar”, conclui.


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