Exposição ‘Além dos Verdes’ conecta arte e Amazônia em São Luís

Mostra reúne artistas amazônicos e promove reflexão sobre território, ancestralidade, biodiversidade e preservação ambiental

Os caminhos da criação contemporânea trazem obras de artistas amazônicos para ocupar a Galeria Trapiche com a exposição Além dos Verdes, apresentado pelo Ministério da Cultura e patrocinado pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet. O projeto propõe uma experiência sensível e urgente de conexão com a preservação e a valorização das manifestações artísticas da Amazônia Legal. A abertura oficial ocorre na próxima terça-feira, dia 1º de setembro, às 19h, com entrada gratuita e aberta ao público.

A mostra, que ficará em cartaz de 1º a 30 de setembro de 2026 na Galeria Trapiche, é um mergulho profundo nas narrativas que emergem do encontro entre os artistas, a floresta, os territórios e seus rios. Saindo dos limites convencionais, as obras de diferentes linguagens artísticas — que passeiam entre pinturas, fotografias, esculturas, instalações e objetos — convidam o público a ocupar um espaço imersivo e presentificado de reflexão. Aqui, as criações estabelecem relações vivas com as populações tradicionais e as transformações ambientais contemporâneas, propondo uma reflexão potente sobre a riqueza da nossa biodiversidade e os desafios urgentes para a sua preservação.

A Costura Poética e os Eixos Curatoriais

O percurso de Além dos Verdes foi desenhado sob uma zelosa curadoria que propõe um projeto em que os trabalhos se misturem e aconteçam juntos no espaço expositivo. Longe de propor uma disposição convencional, a mostra se organiza a partir de eixos curatoriais que conectam o visível e o invisível da floresta. De um lado, as obras mergulham na memória, na ancestralidade e na identidade das populações tradicionais; de outro, confrontam as transformações ambientais contemporâneas e a urgência climática. São produções de artistas que falam de realidades distintas, mas que se comunicam intimamente em sua relação de pertencimento à Amazônia.

Ao expandir os horizontes da exposição, Rodolfo Leite, coordenador geral da exposição, celebra tamanha importância: “O projeto nasce com essa proposta de circulação, de encontro e de troca. A Amazônia não pode ser vista como uma realidade única; ela é feita de muitos territórios, memórias, identidades e formas de expressão. Quando a exposição chega a uma nova cidade, ela também se transforma a partir do olhar daquele público e daquele lugar. São Luís tem uma força cultural muito própria, uma relação muito intensa com memória, patrimônio, ancestralidade e identidade, e acreditamos que esse diálogo com a produção artística amazônica pode ser muito rico. Mais do que levar obras para outro espaço, queremos criar aproximações, provocar reflexões e fazer com que as pessoas se reconheçam, se emocionem e também pensem sobre o território, a cultura e o meio ambiente que compartilhamos.”

A exposição integra uma proposta maior de valorização da arte produzida na região amazônica, incentivando reflexões sobre pertencimento e sustentabilidade. Que esta temporada em São Luís seja um farol para que essas discussões e a produção cultural desses artistas ganhem cada vez mais visibilidade e circulação por outros territórios do país.

Destaque para a acessibilidade

A programação gratuita se desdobra em visitas mediadas para escolas, oficinas culturais, palestras e atividades pensadas sob a perspectiva da acessibilidade plena — oferecendo recursos como intérprete de Libras, mediação acessível e uma versão virtual da exposição disponível na internet, expandindo a mostra para além das barreiras físicas.

Confira a programação completa

A Galeria Trapiche receberá, além da exposição, uma vasta agenda paralela totalmente gratuita que inclui atividades educativas voltadas para a formação de público nas artes visuais. O ambiente, dividido em Espaço Petrobras (onde ficam as oficinas, palestras e demais atividades) e Lounge Petrobras (onde fica o ambiente de trocas institucionais), receberá ao longo de setembro.

1º de setembro

  • 19h: Abertura da exposição “Além dos Verdes” e apresentação da performance “Cy Metamorfoses”, com Nanna Brito.

2 de setembro

  • 14h às 18h: Oficina “Fotografia, Memória e Território: o olhar que se torna imagem”, ministrada por Laurine Campelo.

3 de setembro

  • 14h às 18h: Oficina “Memórias Vazadas: Pintura, Território e Identidade – Laboratório Criativo”, ministrada por Adriane Corrêa.

4 de setembro

  • 15h: Visita guiada à exposição “Além dos Verdes” com a curadora Adriane Corrêa;
  • 16h: Ação de Educação Ambiental, com entrega simbólica de mudas nativas.

10 de setembro

  • 14h: Apresentação da performance “Quem matou nossa mãe?”, com Débora Bararuá e Inácio Sena;
  • 15h: Palestra “Arte, Amazônia, meio ambiente, patrimônio e identidades culturais”, com Débora Bararuá.

17 de setembro

  • 15h: Visita guiada à exposição “Além dos Verdes”.

Todas as atividades são gratuitas e a exposição é aberta ao público. As oficinas possuem vagas limitadas e as inscrições estão disponíveis pela internet.


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