A partir de 25 de setembro até o mês de novembro, a Paracuru Companhia de Dança, grupo cearense que há 25 anos percorre uma trajetória consolidada pela criação artística, a formação de bailarinos e a difusão da dança, realiza sua primeira circulação no Norte do país. Com o apoio da Funarte, por meio do Programa Funarte de Difusão Nacional 2025, a circulação leva a cinco capitais o espetáculo O que você tem na cabeça, além de ações formativas. Toda a programação tem acesso gratuito.
A circulação divide-se em duas etapas. Inicia pelo Nordeste, em São Luís, no Maranhão, nos dias 25 e 26 de setembro, de onde segue para a região Norte, começando por Belém, no Pará, nos dias 29 e 30, e finalizando o primeiro circuito em Macapá, no Amapá, nos dias 2 e 3 de outubro. Em novembro, o projeto seguirá para os estados de Amazonas e Acre, com programação, respectivamente, em Manaus e Rio Branco.
A companhia, assim como a Escola de Dança de Paracuru, é um dos frutos do trabalho do cearense Flávio Sampaio, criados ao retornar à sua cidade de origem, no litoral cearense, depois de uma atuante carreira nos palcos em companhias de balé como do Teatro Guaíra de Curitiba (Paraná) e do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e como professor em instituições como Escola do Teatro Bolshoi no Brasil em Joinville (Santa Catarina). Artista da dança, professor, diretor e pesquisador, Flávio Sampaio é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará.
O espetáculo
Nas cinco capitais a Paracuru Companhia de Dança apresenta “O que você tem na cabeça”, obra de dança contemporânea voltada para o público infantil e inspirada no universo de “O Menino Maluquinho”, do cartunista Ziraldo. Com direção de Flávio Sampaio, coreografia de Jorge Garcia e música de Eder O’Rocha, o espetáculo propõe um encontro entre dança, imaginação, infância e liberdade de criação.
A obra foi apresentada em 2024 na Bienal Criança, projeto da Bienal Internacional de Dança do Ceará, e posteriormente integrou a circulação internacional da companhia, com apresentações em Cabo Verde e Portugal. Agora, o espetáculo retorna ao circuito nacional, aproximando a produção da Paracuru Companhia de Dança de novos públicos e estabelecendo conexões com artistas e instituições da região Norte.
O coreógrafo Jorge Garcia iniciou em Pernambuco seus estudos em danças populares brasileiras, dança contemporânea e balé clássico, atuou como bailarino em companhias como Cisne Negro Cia de Dança e depois como coreógrafo no Balé da Cidade de São Paulo. Em 2005 fundou a Jorge Garcia Companhia de Dança.
A formação
Além das apresentações, a circulação conta com ações formativas nas cidades visitadas, criando espaços de diálogo, troca de experiências e reflexão sobre o ensino da dança no Brasil. As atividades, conduzidas por Flávio Sampaio, são voltadas para artistas, professores, estudantes e comunidades locais, reforçando uma característica histórica da Paracuru Companhia de Dança: a articulação entre criação artística, formação e transformação social.
Serão realizadas a oficina “O Balé em Corpos Brasileiros”, que propõe uma abordagem do balé a partir da diversidade dos corpos e das experiências culturais brasileiras, e a palestra “A Descolonização do Ensino do Balé no Brasil”, que problematiza os modelos tradicionais de ensino da técnica e discute possibilidades de construção de uma prática pedagógica mais contextualizada, plural e conectada à realidade brasileira.
Dessa forma, a circulação articula apresentação, formação e pensamento, levando não apenas a obra artística, mas também conhecimentos e experiências construídos ao longo da trajetória da Paracuru Companhia de Dança, e cria oportunidades de encontro, intercâmbio e compartilhamento de saberes entre diferentes territórios da dança brasileira. A iniciativa amplia a presença da produção artística de Paracuru no cenário nacional e promove o intercâmbio entre artistas, companhias, educadores e públicos de diferentes regiões do país.
Parcerias locais
A circulação será realizada em parceria com importantes grupos e iniciativas de dança das cidades visitadas. Na primeira etapa os parceiros são: Pulsar Cia de Dança (São Luís), Cia Experimental de Dança Waldete Brito (Belém), CASA Dança (Macapá).
“Este percurso pelo Norte representa mais um passo na construção de redes de intercâmbio entre diferentes regiões do país, levando a outros territórios uma produção artística que nasce em Paracuru, no litoral do Ceará, e que tem na formação, na diversidade dos corpos e no diálogo com diferentes culturas alguns de seus principais fundamentos”, diz Flávio Sampaio.
Programação
São Luís
Espetáculo O que você tem na cabeça
- Dias 25/set (sexta) às 17h e 19h e 26/set (sábado) às 17h
- Local: Rua do Giz – Centro Histórico de São Luís
Oficina O balé em corpos brasileiros
- Dia 25/set às 9h
- Local: Anexo do Theatro Arthur Azevedo
Palestra A decolonização do ensino do balé no Brasil
- Dia 25/set às 10h
- Local: Anexo do Theatro Arthur Azevedo
- Público-alvo: Professores de balé e bailarinos
Lançamento do livro Balé Passo a Passo, de Flávio Sampaio
- Dia 26/set às 10h
Belém
Espetáculo O que você tem na cabeça
- Dias: 29/set (terça) às 17h e 19h e 30/set (quarta) às 17h
- Local: Espaço Experimental de Dança (Rua Desembargador Marreiros, nº 1.775)
Palestra A decolonização do ensino do balé no Brasil
- Dia 29/set às 9h
- Local: Espaço Experimental de Dança
- Público-alvo: Professores de balé e bailarinos
Oficina O balé em corpos brasileiros
- Dia 29/set (ter) às 10h
- Local: Centro Experimental de Dança Waldete Brito
- Público-alvo: Alunos, bailarinos e professores
Lançamento do livro Balé Passo a Passo
- Dia 29/set às 18h
Macapá
Espetáculo O que você tem na cabeça
- Dias: 2/out (sexta) às 17h e 19h e 3/out (sábado) às 17h
- Local: Casa do Artesão – Orla do Rio Amazonas
Oficina O balé em corpos brasileiros
- Dia 2/out às 9h
- Local: Casa Dança
- Público-alvo: Alunos, bailarinos e professores
Lançamento do livro Balé Passo a Passo
- Dia 2/out às 18h
Imagem: Silvia Machado, cortesia








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