Uma compra para aliviar um dia estressante, uma promoção que parece imperdível ou aquela parcela pequena que “cabe no bolso”. Quando decisões como essas se repetem, podem comprometer o orçamento. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revelou que 50% dos brasileiros gastaram mais do que planejavam no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, o país alcançou 83,9 milhões de pessoas inadimplentes.
No Maranhão, o cenário também chama atenção. Em junho, 2.364.051 consumidores estavam negativados, acumulando mais de R$ 11,49 bilhões em dívidas. Bancos e cartões de crédito concentravam 28,29% das pendências.
Embora nem toda dívida seja resultado de consumo impulsivo, compras não planejadas podem aumentar a pressão sobre um orçamento já comprometido. Segundo a psicóloga clínica e neuropsicóloga Priscilla Correia, esse comportamento nem sempre parte de uma decisão racional.
“A compra por impulso muitas vezes ocorre a partir de uma resposta emocional imediata, na qual a expectativa de prazer, satisfação ou alívio momentâneo se sobrepõe à avaliação das consequências financeiras”, explica.
Quando comprar vira uma forma de aliviar emoções
Ansiedade, estresse, tristeza, frustração, solidão, baixa autoestima e tédio podem aumentar a vulnerabilidade às compras impulsivas. Nesses momentos, comprar pode funcionar como uma tentativa de aliviar emoções desagradáveis ou como forma de recompensa.
O problema é que esse alívio costuma durar pouco. Segundo Priscilla, pode se formar um ciclo: desconforto emocional, desejo de comprar, prazer momentâneo e, depois, culpa, arrependimento ou preocupação financeira.
“Esses sentimentos podem gerar novamente sofrimento emocional e favorecer a repetição do comportamento”, afirma.
A psicóloga ressalta que uma compra impulsiva ocasional não significa necessariamente um problema psicológico. O alerta aparece quando o comportamento se torna frequente, difícil de controlar e começa a provocar sofrimento, conflitos familiares ou prejuízos financeiros.
Promoções e parcelamentos também influenciam
Expressões como “últimas unidades”, “somente hoje”, “frete grátis” e grandes descontos podem criar uma sensação de urgência e reduzir o tempo de reflexão.
“O consumidor pode concentrar sua atenção na possibilidade de perder a promoção, deixando em segundo plano a pergunta mais importante: ‘Eu realmente preciso comprar isso?’”, explica.
Cartão de crédito e parcelamentos também podem diminuir a percepção imediata do gasto. Nas redes sociais, publicidade personalizada, influenciadores, notificações e compras feitas em poucos cliques encurtam ainda mais o intervalo entre o desejo e a decisão.
Como controlar a compra por impulso?
Uma das estratégias indicadas pela psicóloga é criar um intervalo antes da compra. Para itens não planejados, esperar 24 ou 48 horas pode ajudar a perceber se aquela vontade realmente permanece.
Organizar um orçamento mensal, acompanhar os gastos, limitar despesas não essenciais, retirar cartões salvos de aplicativos e desativar notificações promocionais também ajudam.
Antes de comprar, Priscilla recomenda algumas perguntas: “Eu realmente preciso deste produto?”, “Já pretendia comprá-lo antes de ver a promoção?”, “Consigo pagar sem comprometer despesas importantes?” e “Estou comprando porque preciso ou porque estou ansioso, triste, frustrado ou estressado?”
Quando as compras passam a ser usadas repetidamente como forma de aliviar emoções e começam a provocar perda de controle ou endividamento, a especialista recomenda observar também os fatores emocionais envolvidos.
“O acompanhamento psicológico pode contribuir para a identificação dos gatilhos e para a construção de formas mais saudáveis de lidar com ansiedade, frustração e necessidade de recompensa”, finaliza.








Deixe um comentário