3 milhões de jovens sofrem abuso on-line no Brasil

Exposição digital amplia riscos, exige diálogo familiar e atenção a sinais de alerta

Um em cada cinco adolescentes brasileiros já foi vítima de algum tipo de violência sexual em meios digitais. Na prática, esse total representa cerca de três milhões de pessoas entre 12 e 17 anos de idade. O dado é de um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), em parceria com outras organizações internacionais. Os números revelam que orientar adolescentes sobre os riscos da exposição on-line é uma necessidade cada vez mais urgente.

Em 66% dos casos relatados, a violência aconteceu exclusivamente no ambiente digital, com destaque para redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos on-line. Entre os principais canais utilizados pelos abusadores estão o Instagram e o WhatsApp, frequentemente usados para estabelecer contato com as vítimas. Esse tipo de violência engloba desde o aliciamento e a extorsão até a produção, armazenamento e disseminação de material de abuso para outros canais, tanto on, quanto offline.

Os números evidenciam, ainda, o grau de exposição de crianças e adolescentes a situações de risco. Especialistas explicam que a busca por aceitação, pertencimento e validação, comum nessa fase da vida e intensificada nas redes sociais, pode tornar os adolescentes alvos mais vulneráveis para abordagens manipuladoras.

“Nas redes sociais, essa necessidade se intensifica, fazendo com que muitos jovens se exponham em busca de validação”, explica o psicólogo e docente da Estácio, Alexandro Cruz. É justamente dessa necessidade emocional que abusadores se aproveitam para criar vínculos, ganhar confiança e, a partir disso, avançar para situações de chantagem ou exploração sexual.

Outro ponto de atenção é a falsa sensação de segurança no ambiente digital. “Mesmo que o conteúdo seja enviado de forma restrita, ele pode ser compartilhado, salvo ou utilizado por outras pessoas, fazendo com que o jovem perca completamente o controle sobre aquela exposição”, alerta o psicólogo da Estácio.

Quando essa exposição acontece, ou até mesmo quando há ameaça de que ela ocorra, os impactos podem ser profundos. “O adolescente pode entrar em um estado de desespero, com ansiedade elevada e medo constante, já que ele ainda está em processo de construção da sua identidade”, destaca.

Sinais de alerta

As mudanças bruscas de comportamento são o principal sinal de que algo não vai bem na vida do adolescente. Isolamento, irritabilidade, alterações no sono, medo de usar o celular ou recusa em ir à escola, por exemplo, estão entre os sinais de atenção.

Além disso, é importante observar a relação do adolescente com o celular: uso excessivo do aparelho, apagar conversas com frequência, trocar senhas repentinamente ou demonstrar nervosismo ao receber mensagens também devem despertar o alerta das famílias. Em alguns casos, pode haver também quedas bruscas no rendimento escolar, alterações no apetite e perda de interesse por atividades que antes eram motivo de alegria.

O especialista reforça que o caminho mais eficaz é o diálogo e o acolhimento. “O adolescente precisa se sentir seguro para falar, sem medo de julgamento, sabendo que terá apoio independentemente do que aconteceu”, orienta. Isso significa criar, no dia a dia, um ambiente de confiança, em que o jovem se sinta à vontade para compartilhar dúvidas, medos e até erros, sem receio de punições imediatas. Conversas abertas sobre o uso da internet, limites, privacidade e riscos devem fazer parte da rotina da família, sempre com naturalidade e sem tom de ameaça.

Quando há suspeita de que algo está errado, a orientação é exercer a escuta ativa e evitar reações impulsivas. Brigas ou retirada imediata do celular podem fazer com que o adolescente se feche ainda mais. O ideal é acolher, ouvir com atenção, validar os sentimentos e, a partir disso, buscar caminhos para resolver a situação, que podem incluir o bloqueio de contatos, a procura por apoio psicológico e, em casos mais graves, denúncia nas plataformas e orientação jurídica.

“Quando o adolescente percebe que não está sozinho e que será acolhido, ele tem mais chances de pedir ajuda antes que a situação se agrave. O papel dos pais é estar presente, orientar e agir com firmeza, mas também com sensibilidade”, conclui Alexandro Cruz.


Descubra mais sobre mauricioaraya.com · Blog do Maurício Araya

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais lidas


Leia também


Deixe uma resposta

Acompanhe atualizações pelo WhatsApp

X

Descubra mais sobre mauricioaraya.com · Blog do Maurício Araya

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo