Dói. Ainda dói. Dói a ausência. Dói a forma como foi. Dói como terminou sem um término, sem um ponto final. Aliás, nem terminou o que, simplesmente, nem começou. Embora eu saiba que, no fundo, bem no fundo, alguma coisa houve.
Você sabe a maior dor da vida que passei há alguns meses, e, por isso, ainda dói não ter a sua escuta paciente nesse momento. Há semanas, vivi uma nova montanha-russa de emoções. Vivi um luto duplo: o ainda presente da perda de uma pessoa muito, muito querida, e o da perda de um sentimento tão puro, inocente e, de certo modo, inédito – e só você vai entender o porquê. E esse misto de sentimentos, entre dois ou mais lutos, é um ingrediente fundamental dessa receita, dessa grande confusão afetiva em que eu me meti.
Depois do ‘término-não-término’, conheci outras pessoas, algumas bem interessantes, por meio virtual e até pessoalmente, o que me exigiu um grande esforço de extroversão – e que, no fim, resultou em uma nova experiência de rejeição. Nenhuma teve a paciência que você teve. Nenhuma aprofundou a conversa. Nenhuma perguntou sobre o que eu estava sentindo. Nenhuma quis saber como eu estava.
Chorei. Chorei muito. E esse pesar me levou a outro lugar, o de autognose. Aprendi tudo o que podia aprender sobre esse sentimento: deparei-me com as mais diversas teorias sobre estilos de apego emocional e até mesmo como trapacear a complexa equação do amor. Busquei, então, direcionar toda essa energia para mim. Leitura. Jardinagem. Saúde. Trabalho. Casa.
Na verdade, tudo isso foi até um grande presente, o melhor que eu poderia ter recebido ultimamente: a libertação. Finalmente, estou pronto para dizer adeus. Finalmente, sinto-me livre desse sentimento. Sem mágoas. Sem aflição. Sem amarguras. Porque eu pensava que nós viveríamos o extraordinário, mas o extraordinário não existe na vida real, somente na ficção. Agora, vou deixar para viver o extraordinário nas minhas sessões de cinema sábado à tarde, para animar um pouco a minha vidinha de merda.
E não se envaideça: esse texto nem é direcionado a você. Esse texto foi escrito para o ideal platônico que eu criei – já que você deixou sempre muito claro que o sentimento era de mão única.
E, se um dia você voltar, já não vai mais me encontrar. Já não sou mais o mesmo. O amor acabou.
Imagem: Imagem criada por Inteligência Artificial







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