Essa é talvez uma das reportagens com a qual tenha mais carinho, de dar orgulho na carreira e satisfação de poder ter alertado sobre uma situação dentro da comunidade. Poucos dias após uma adolescente de 12 anos morrer em um deslizamento de terra, fui ao local da tragédia: a Segunda Travessa Babilônia, no bairro do Coroadinho – quarto maior assentamento urbano informal do Brasil, com população estimada em 53,9 mil habitantes e 14,2 mil domicílios, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A combinação de chuvas de forte intensidade, desleixo e desordem urbana criou o cenário perfeito para o caos. Mesmo a Defesa Civil identificando mais de 60 pontos de risco de deslizamento na capital maranhense à época, o que pude observar foi diversos moradores desafiando a própria sorte, despejando entulho e escavando barreiras.
Quando cheguei ao local, a casa, no alto de um morro, estava permanece coberta por uma lona e casas mais próximas interditadas. Um morador revelou à reportagem que, o que não deveria ser, virou rotina da comunidade. “Toda chuva, todo inverno é assim. Nessa área todinha, todo ano, existe uma tragédia”, disse.


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