Tapetes soltos, piso molhado, pouca iluminação, móveis baixos e até animais de estimação circulando pela casa podem parecer detalhes inofensivos no dia a dia. Para pessoas idosas, no entanto, tudo isso pode aumentar o risco de quedas e acidentes domésticos, especialmente quando perda de força, de equilíbrio, de coordenação motora, de visão ou de audição fizerem parte do dia a dia.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as quedas são a segunda principal causa de mortes por lesões acidentais no mundo. A entidade também aponta que adultos com mais de 60 anos concentram o maior número de quedas fatais e que, todos os anos, cerca de 37,3 milhões de quedas exigem atendimento médico.
Sulamizia Costa, professora do curso de Fisioterapia da Estácio, reforça que as condições de uma casa em que mora uma pessoa idosa devem ser motivo de atenção especial das famílias. Entre os cômodos da casa, o banheiro é apontado pela fisioterapeuta como um dos ambientes de maior risco. A combinação entre piso molhado, pés úmidos e superfícies escorregadias aumenta significativamente a chance de acidentes, principalmente ao sair do banho.
“É o cômodo da casa onde costuma acontecer a maior parte dos acidentes. Ao sair da ducha, o cuidado deve ser redobrado, pois os pés e o piso molhados são a combinação perfeita para quedas”, alerta Sulamizia.
Para reduzir os riscos, a orientação é instalar barras de apoio no banheiro, utilizar tapetes antiderrapantes apropriados, manter o ambiente bem iluminado e, quando necessário, adaptar o vaso sanitário com elevador de assento. Também é importante evitar que o idoso precise se apoiar em estruturas instáveis, como pias, portas ou toalheiros.
Mudanças
Além do banheiro, outros espaços da casa também devem ser observados. Corredores, quartos, cozinhas e escadas precisam estar livres de obstáculos. Tapetes soltos, fios espalhados, brinquedos, móveis baixos e objetos no caminho devem ser retirados das áreas de circulação.
A professora orienta que a casa tenha boa iluminação, especialmente durante a noite. Uma situação comum, segundo ela, é o idoso levantar de madrugada para ir ao banheiro e não acender as luzes por acreditar que conhece bem o caminho.
“É importante evitar tapetes e móveis baixos pelos ambientes em que o idoso transita, além de manter uma luminosidade adequada. Barras em escadas, degraus, banheiro e ao lado da cama também auxiliam o idoso a levantar com mais segurança”, afirma.
A presença de animais de pequeno porte também deve ser observada. Apesar de fazerem parte da rotina afetiva de muitas famílias, eles podem circular entre os pés do idoso e provocar tropeços.
Os riscos de queda não estão ligados apenas ao ambiente. Com o passar dos anos, é comum que o idoso apresente redução de massa muscular, perda de massa óssea, artrose e alterações de equilíbrio. A OMS aponta que exercícios voltados para força, equilíbrio e flexibilidade estão entre as estratégias mais eficazes para reduzir o risco de quedas em idosos.
Sulamizia também chama a atenção para comportamentos que podem aumentar o risco de acidentes. Subir em bancos ou escadas, não usar corrimão, vestir-se em pé, calçar sapatos inadequados ou caminhar em ambientes escuros são atitudes que devem ser evitadas.
“Muitos idosos têm dificuldade de aceitar as limitações advindas do envelhecimento e insistem em realizar atividades domésticas que antes eram rotineiras, como subir em bancos e escadas. O ideal é calçar meias, sapatos e roupas sentado, além de usar sempre os apoios disponíveis”, orienta.
Segurança com autonomia
A fisioterapeuta explica que adaptar a casa não significa limitar o idoso, mas criar condições para que ele mantenha autonomia com mais segurança. Para isso, a família deve observar a rotina, identificar situações de risco e conversar com o idoso de forma respeitosa, sem infantilizá-lo.
“Além das adaptações físicas, é fundamental que a família esteja atenta à rotina. Pequenas mudanças no ambiente podem evitar acidentes e contribuir para que o idoso se movimente com mais confiança e independência dentro de casa”, reforça Sulamizia Costa.








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