Quedas na infância: risco alto nos primeiros passos

Dados revelam internações frequentes; especialista orienta prevenção doméstica e cuidados após acidentes

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“Caiu? Levanta, não foi nada”: a frase é tão comum na infância que, para muitos adultos, sai de forma automática. As quedas são o acidente mais comum entre crianças e lideram os atendimentos hospitalares no país. Um levantamento da Aldeias Infantis SOS, com base em dados do DataSUS, aponta que elas representam 44% das internações de crianças. Outros estudos mostram ainda que mais de 70% das crianças sofrem pelo menos uma queda entre 1 e 2 anos de idade, justamente a fase dos primeiros passos.

Mulher usando uma camisa branca, posando com os braços cruzados, sorrindo levemente, em frente a um fundo claro.
Taynara Logrado, enfermeira e professora de medicina do Idomed Fameac

De fato, na transição entre o engatinhar e o caminhar, os bebês parecem andar em ‘corda bamba’ o tempo inteiro, já que tanto os movimentos quanto a estrutura musculoesquelética ainda estão em desenvolvimento. Taynara Logrado, enfermeira e professora de medicina do Idomed Fameac, explica que o bebê ganha mobilidade e curiosidade, mas ainda não possui noção de perigo, equilíbrio pleno ou reflexos de proteção refinados, o que aumenta a chance de imprevistos.

Nesta fase, os socorristas atendem majoritariamente ocorrências de quedas ligadas à exploração do ambiente, ou seja, que ocorrem de uma altura de aproximadamente 70 a 90 centímetros do chão. Como o centro de gravidade do bebê é mais alto, já que a cabeça é proporcionalmente maior que o corpo, qualquer oscilação pode representar um risco para a estabilidade corporal

Riscos e prevenção

A enfermeira Taynara Logrado reforça que a segurança de uma criança é fruto de um ambiente preparado. “Muitas vezes, como pais e educadores, focamos em grandes perigos e esquecemos que são os pequenos detalhes do dia a dia que mais oferecem risco”, explica.

Ainda segundo ela, situações comuns dentro de casa podem se tornar perigosas, como a presença de cabos e fios expostos, móveis que facilitam a escalada ou desníveis, como soleiras e degraus entre os cômodos, além de áreas com piso úmido e escadas sem proteção adequada. “É indispensável fazer um mapeamento da casa, observar cada ambiente com atenção e eliminar tudo aquilo que possa representar risco para a rotina da criança”, orienta.

Caiu, e agora?

Em caso de queda, Taynara lembra que a primeira providência é verificar o nível de consciência da criança. Mesmo que ela não apresente sinais de qualquer dano, ela deve ser observada por um período de 24 a 48 horas. Os sinais de alerta são vômitos repetidos, sonolência excessiva, irritabilidade extrema ou perda de equilíbrio. Nessas situações, é preciso procurar imediatamente um pronto-socorro.

A enfermeira ressalta ainda a importância do atendimento médico e de se evitar dar remédios para as crianças sem recomendação médica. “Isso pode mascarar sintomas neurológicos”, explica.

Imagem: Freepik


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