Não faz nem um mês que o segundo semestre letivo começou e, junto com ele, diversas famílias experimentam também um revezamento de sintomas em casa. Primeiro vem o nariz escorrendo. Depois, a tosse. Alguns dias mais tarde, febre ou dor de garganta. A criança melhora, volta à escola e, quando os pais acham que a rotina finalmente engrenou, aparece outro quadro semelhante. A sensação é que o reinício do período letivo traz consigo a volta de uma série de viroses. É verdade ou só impressão?
A pediatra do Hospital São Domingos, Alzira de Alencar Lima Lins Araújo, explica que, com a volta às aulas, as crianças voltam a ficar expostas a diferentes agentes infecciosos. “O retorno escolar reúne um grande número de crianças em um mesmo espaço. Como o sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, elas são mais suscetíveis a contaminação. O convívio próximo e prolongado cria o cenário ideal para que vírus e bactérias encontrem novos hospedeiros rapidamente”, explica.
Durante as férias, é comum que a criança tenha contato com um grupo menor de pessoas. Com a volta à escola, passa novamente a compartilhar salas, brinquedos, mesas e outros espaços com dezenas de colegas, ampliando as possibilidades de transmissão de viroses.
Contágio
A transmissão pode acontecer de diferentes formas. Uma das principais é pelas gotículas respiratórias liberadas durante a fala, a tosse e o espirro. “Superfícies compartilhadas, como maçanetas, corrimãos, mesas e brinquedos, também podem contribuir, principalmente quando a criança toca nesses objetos e depois leva as mãos ao rosto”, explica a pediatra.
Além disso, cada aluno retorna à escola após ter convivido com seu próprio grupo de pessoas durante as férias. Na prática, isso significa que além dos livros e cadernos, ela levará também a sua variedade de microorganismos para aquele ambiente.
Alguns cuidados podem ajudam a diminuir a transmissão de vírus e bactérias dentro e fora da escola. A higienização frequente das mãos está entre as principais recomendações, especialmente antes das refeições e depois de usar o banheiro. “Também é importante ensinar as crianças a cobrir o nariz e a boca com o antebraço ao tossir ou espirrar”, orienta Alzira.
“A ventilação dos ambientes também ajuda a diminuir a circulação de microorganismos. Sempre que possível, é recomendável manter portas e janelas abertas para a melhor circulação do ar”, continua a especialista. Outro ponto importante é manter o calendário vacinal atualizado, incluindo a vacinação contra a gripe quando indicada. A pediatra também reforça que crianças com febre ou sintomas gripais devem permanecer em casa durante o período de maior risco de transmissão.
Sinais de alerta
Alguns sinais exigem atenção dos pais. Segundo Alzira, mais importante do que simplesmente contar quantas vezes a criança adoeceu é observar como ela fica durante esses episódios.
A pediatria explica que os sinais respiratórios estão entre aqueles que merecem maior atenção. “Dificuldade para respirar, respiração acelerada, chiado no peito ou esforço para puxar o ar são sinais de alerta”, orienta. A febre também precisa ser acompanhada. Quando é alta, persiste ou dura mais de 72 horas, é recomendável buscar avaliação médica.
O comportamento da criança oferece outras pistas importantes. Uma criança que fica muito sonolenta, apática, excessivamente irritada, deixa de interagir como de costume ou apresenta uma mudança importante no estado geral precisa ser observada com atenção.
Os pais também devem ficar atentos à hidratação. “Boca seca, ausência de lágrimas ao chorar ou passar muitas horas sem urinar podem indicar desidratação”, alerta a pediatra. Vômitos frequentes, especialmente quando impedem a criança de beber líquidos ou tomar medicamentos, também justificam o encaminhamento para avaliação médica.
E, para os pais que já estão na segunda ou terceira rodada de nariz escorrendo, tosse e noites mal dormidas, a principal mensagem é lembrar que a maior parte desses quadros de virose costuma ter sintomas leves e desaparecer espontaneamente em poucos dias.
A volta à convivência intensa da escola aumenta naturalmente as oportunidades de exposição. O mais importante, segundo Alzira, é combinar prevenção com observação. “Adotar os cuidados possíveis e saber reconhecer quando um quadro deixou de ter características de uma infecção comum e precisa ser avaliado por um profissional”, conclui.








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