Sintomas cardíacos aos 30 e 40 anos: sinais de alerta

Cardiologista alerta para sinais confundidos com estresse, alimentação e cansaço, além de hábitos que prejudicam saúde cardiovascular

– Sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de peso, diabetes e consumo de álcool, cigarro e energéticos elevam riscos cardiovasculares;
– Estresse constante, sono de baixa qualidade e pressão por respostas imediatas prejudicam saúde do coração;
– Coração acelerado, cansaço, falta de ar e dor na região do estômago podem indicar alterações cardiovasculares e exigem avaliação médica.

Coração acelerado, cansaço, falta de ar ou até uma dor na região do estômago. Para quem está na faixa dos 30 ou 40 anos, sintomas como esses podem ser facilmente atribuídos ao estresse, à alimentação ou ao desgaste da rotina. O problema é que alguns desses sinais também podem estar relacionados à saúde do coração e, por isso, não devem ser simplesmente ignorados.

O alerta é do cardiologista do Hospital São Domingos, José de Ribamar Costa Junior. Segundo o especialista, a mudança no estilo de vida da população nas últimas décadas trouxe uma combinação de fatores que pode prejudicar a saúde cardiovascular, como menos atividade física, alimentação de pior qualidade, excesso de peso e uma rotina cada vez mais estressante.

“Cada vez há mais sedentarismo, as pessoas se exercitam menos, comem mais e de pior qualidade, tanto que existe uma epidemia de sobrepeso e obesidade”, explica.

O médico também chama atenção para o diabetes, condição associada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, além do consumo excessivo de produtos prejudiciais à saúde do coração, citando bebidas alcoólicas, cigarro e energéticos.

Uma rotina que também pesa sobre o coração

Não é apenas o que se come ou quanto se pratica atividade física que merece atenção. Para o cardiologista, a forma como as pessoas vivem, descansam e lidam com as demandas diárias também mudou.

“O estilo de vida ficou mais estressante. As pessoas têm uma qualidade de vida inferior, são mais estressadas do que eram antigamente”, afirma.

Nesse cenário, o sono ganha importância. Doutor José Ribamar ressalta que não se trata apenas de observar a quantidade de horas dormidas, mas se esse período realmente proporciona um descanso de qualidade.

“Hoje as pessoas já não têm mais um sono de boa qualidade. Isso não quer dizer apenas a quantidade de horas dormidas, mas a qualidade do sono”, explica.

Preocupações constantes, mídias eletrônicas e a pressão para estar sempre disponível também são citadas pelo especialista. “As respostas têm que ser imediatas, as coisas têm que ser rápidas. Isso aumenta o estresse e é danoso à saúde cardiovascular”, acrescenta.

Quando parece ser “só estresse”

O problema é que, entre adultos mais jovens, alguns sinais podem ser banalizados justamente por não serem associados imediatamente ao coração.

“Quando está na faixa dos 30, 40 anos, a gente tende sempre a pensar que aquele aperto ali no estômago, aquela dor, aquele coração acelerado são mais normais ou alguma coisa relacionada à alimentação, ao estresse, ao desgaste emocional do momento”, explica o especialista..

Essa percepção pode levar a pessoa a minimizar sintomas físicos. Coração acelerado, cansaço, falta de ar e dor na região do estômago estão entre os sinais citados pelo cardiologista.

E é justamente a dor no estômago que pode confundir. “Muitas vezes não é por causa do estômago, mas por causa do coração”, alerta.

Por isso, sintomas persistentes ou preocupantes não devem ser automaticamente atribuídos ao estresse ou à rotina. A avaliação médica é necessária para investigar a origem dos sinais e identificar se há ou não alguma alteração cardiovascular.

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