Você toma banho, sai de casa e pouco tempo depois já sente o rosto mais oleoso. Para outras pessoas, são as espinhas que parecem aparecer com maior frequência ou aquelas manchas claras, conhecidas popularmente como “pano branco”, que voltam a incomodar. O fato de essas mudanças na pele acontecerem em dias muito quentes não é uma coincidência: temperatura elevada, suor, umidade e exposição solar interferem de diferentes maneiras na pele.
A julgar pelo cenário climático previsto para os próximos meses, o que não vai faltar são motivos para proteger a pele. O El Niño, confirmado em junho, está se intensificando e tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte neste período do ano, segundo os boletins do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Cemaden. Para as regiões Norte e Nordeste, um dos efeitos associados ao fenômeno é a possibilidade de chuvas abaixo da média. As projeções para o segundo semestre também indicam maior probabilidade de temperaturas elevadas.
Na pele, uma das primeiras respostas perceptíveis ao aumento da temperatura é o suor. O dermatologista do Hospital São Domingos, Marcelo Casarim Júnior, explica que o organismo aumenta a sudorese como mecanismo para ajudar a controlar a temperatura corporal.
“As glândulas sudoríparas passam a liberar mais suor para desprender esse calor. Em temperaturas mais altas, as glândulas sebáceas também começam a trabalhar mais. É exatamente a soma desses fatores que faz com que a nossa pele fique mais oleosa nos dias mais quentes, inclusive em quem tem a pele naturalmente seca”, explica.
Acne, micoses e outros problemas
Um dos possíveis reflexos desse cenário é a piora da acne. Marcelo ressalta que a doença tem diferentes fatores envolvidos em seu desenvolvimento e que o calor, isoladamente, não explica o surgimento das espinhas. O aumento da oleosidade, no entanto, pode contribuir para a obstrução dos folículos e favorecer o aparecimento de cravos e espinhas em pessoas predispostas.
“A acne tem várias causas que justificam o seu aparecimento, não é um desencadeamento único. Mas, falando especificamente dos dias mais quentes, esse aumento da oleosidade pode contribuir para que ela aconteça de maneira mais intensa”, afirma.
Calor, suor e umidade também criam condições favoráveis à proliferação de alguns fungos. Micoses também podem se tornar mais frequentes nos períodos de calor, principalmente pela combinação entre temperaturas elevadas, suor e umidade. É o caso da frieira, que costuma aparecer entre os dedos dos pés; da micose da virilha, favorecida também pelo atrito; e da candidíase cutânea, mais comum em regiões de dobra, como axilas, virilha e abaixo das mamas. O calor, por si só, não causa essas infecções, mas ajuda a criar um ambiente quente e úmido que favorece a proliferação dos fungos.
Outro exemplo bastante conhecido é a pitiríase versicolor, popularmente chamada de “pano branco”, caracterizada geralmente pelo aparecimento de manchas mais claras na pele. Nesse caso, o fungo associado à doença pode estar naturalmente presente na pele, sem provocar lesões. Portanto, o surgimento das manchas não significa necessariamente que a pessoa tenha adquirido o problema pelo contato com alguém.
“Ele já vive naturalmente na nossa pele. Com o aumento da temperatura e condições favoráveis, esse microrganismo pode proliferar e começam a surgir as lesões de pano branco na superfície da pele”, explica Marcelo.
Outro problema que costuma aparecer depois da exposição solar são manchas provocadas pelo contato da pele com determinadas substâncias presentes em frutas cítricas. É a chamada fitofotodermatite, situação frequentemente associada ao contato com limão seguido de exposição ao sol. Segundo Marcelo, a pessoa nem sempre percebe a reação imediatamente. “Ela se expõe ao sol e pode acordar depois com a mancha”, explica.
Quanto procurar ajuda médica
Temperatura e radiação solar, embora frequentemente apareçam juntas na rotina, não são a mesma coisa. Enquanto calor, suor e umidade podem favorecer oleosidade, acne e algumas micoses, a exposição desprotegida à radiação ultravioleta produz outro tipo de dano, que se acumula ao longo da vida. “A longo prazo, a exposição direta e desprotegida ao sol pode contribuir para o desenvolvimento de patologias, inclusive neoplasias malignas da pele”, destaca o dermatologista.
O aparecimento de uma alteração na pele não significa automaticamente câncer, mas algumas características justificam avaliação médica. Lesões que crescem, sangram, apresentam assimetria ou diferentes cores merecem atenção. “De maneira geral, qualquer sinal diferente é importante avaliar. Se você apresenta uma lesão que tenha mais de uma cor, assimetria, esteja crescendo de maneira acelerada ou tenha aspecto sangrante, é extremamente importante procurar um dermatologista”, orienta.








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